Ponte dos Ingleses: Porto de Desembarque dos Sentimentos
Dos locais destinados ao lazer em Fortaleza, é na Ponte dos Ingleses que encontramos as formas mais lúdicas e relaxantes de passar o tempo. Mesmo durante a semana, grupo de jovens, turistas e trabalhadores deixam suas responsabilidades de lado para estar num dos pontos turísticos mais aconchegantes de nossa cidade.

As visitas começam logo cedo, antes mesmo dos golfinhos terminarem suas acrobacias matinais aos arredores da Ponte. Uma excursão de turistas, outra de estudantes e mais algumas pessoas, que mesmo sem estarem acompanhadas, iniciam a movimentação local, apreciando a imensidão do mar.
Muitos são os motivos para estar ali, pela manhã: acabar um namoro, gazear aula, caminhar, conhecer a cidade. Também é possível encontrar os que enxergam a ponte como um refúgio, como um espaço distante da rotina e de todos os compromissos.
Assim como todos os seus freqüentadores, a Ponte dos Ingleses, mais conhecida como Ponte Metálica, também possui sua história, também possuiu outros propósitos.
Afinal, ela não foi construída para oferecer conforto aos que a procuram, mas sim para receber estrangeiros e cargas de outros países. O porto marítimo de embarque e desembarque em Fortaleza, construído por uma empresa inglesa no início do século 20, só foi transformada em Ponte em 1940, quando se tornou referência de turismo e lazer da capital cearense.
Desde então, a ponte é porto de desembarque de cargas emocionais dos passageiros que passam por ela. Cada um deixa um vestígio de sua história, seja numa assinatura feita com corretivo no chão, sejam as declarações de amor registradas ? caneta por todas as partes. O fato de a ponte nos aproximar do mar permite que além dos registros, os visitantes possam lançar novos olhares sobre ela e traduzir diversas sensações. As ondas da Praia de Iracema ficam encarregadas de entreter os visitantes e de levar embora os momentos de angústia e tristeza.
Muitas histórias quem guarda também é Maria Cosme, que freqüenta o local há mais de 40 anos para pescar. Quase todos os dias a dona de casa
prepara sua mochila com as guarnições necessárias para a pesca: um anzol, uma linha e camarões, utilizados como isca. Sempre atenta ao próximo peixe que fisgará a isca, Maria Cosme observa as mudanças que presenciou na Ponte, suas reformas, suas fases, e seu principal atrativo, os visitantes “Antes, só de estar lotada de gente era bonito, as pessoas eram a beleza do local”, destaca.
Da mistura de visões e de sentimentos é que podemos ressaltar a singularidade da Ponte dos Ingleses como um espaço receptivo e eclético, onde classes se misturam, diferenças se amenizam pelo simples motivo de compartilhar a sensação de liberdade, de relaxamento. O mar sempre convidativo clama por igualdade, pois não distingue as disparidades, só contempla nossos sentimentos.
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