Crônica de várias mortes anunciadas
Há menos de dois meses, me interessei por um livro
, componente do acervo do escritório
onde trabalho. “A Era do Escândalo”, do escritor Mário Rosa, onde elenca uma série
de depoimentos das maiores situações de crise vividas por empresas, políticos e instituições do país. Por coincidência, a situação que me chamou mais atenção foi o Acidente da TAM em 1996 – a tragédia do vôo 402, o maior acidente aéreo urbano da história do Brasil, até então.
O Capítulo explicava passo-a-passo como a empresa aérea contornou a crise de proporção estrondosa: foram 99 mortes no total. Mal sabiam que mais de 10 anos depois iam ser superados por um novo acidente de maior gigantismo, pelo próprio air bus da TAM. A menos de uma semana, acompanhamos o maior, esse sim, Maior acidente da aviação brasileira, contabilizando cerca de 190 corpos, com um avião e um galpão da TAM, próximos ao aeroporto, destruídos.
Sem querer enveredar pelos campos do sensacionalismo jornalístico, me detenho aqui nos preparativos de uma comunicação empresarial que precisa estar preparada e ter bom senso em momentos de crise como esta. Aqui tabém não pretendo defender um ou outro agente participante deste desastre que nos acometeu nesta semana.
Só chamo atenção dos espectadores para aquela mensagem da TAM falando do pesar e do apoio aos familiares. Por trás dessa comunicação e explicação a todos os brasileiros, existe uma equipe que tenta trabalhar exatamente para isso: dar explicações, esperar o momento certo para se pronunciar e ser cauteloso antes de ser divulgado o resultado das investigações.
Uma assessoria de imprensa está exatamente a disposição do grande público, é ela que faz a ponte entre os meios de comunicação e os funcionários -estes devem responder as indagações e dúvidas dos jornalistas. Esse trabalho de enfrentar momentos de crise não é fácil e demanda muita paciência e bom senso por parte dos profissionais de assessoria.
A TAM não tinha sequer um manual de comunicação durante a repercussão do primeiro acidente. No entanto, podemos ver o desenvolvimento no desempenho da empresa após o acontecimento, conseguindo se manter como uma empresa de credibilidade, e transmitindo confiança aos passageiros de todo o país.
O questionamento agora é maior, porque o que está em jogo é todo o sistema aéreo brasileiro. Todos estão com medo de voar. Seja em que empresa for já que o histórico nos últimos meses está deixando a desejar. Resta saber o que as autoridades de todos os setores governistas e empresariais responsáveis estão preparando para sanar a grande crise. Esperamos mais informação positiva nesse sentido. Esperamos que o caos aéreo seja exterminado. Que as empresas aéreas sejam mais seguras e que menos mortes venham a pagar por isso. Os brasileiros pedem paz aos céus!!!
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